Setembro amarelo: precisamos falar sobre saúde mental

Olá Ruby Lovers,

Hoje o assunto não é maquiagem ou skincare, pois temos um assunto mais importante para ser discutido. Chegamos ao mês de setembro, que é conhecido por ser o mês de conscientização sobre a prevenção do suicídio. Por isso, a Ruby Rose convidou a psicóloga Mariana Cristina para tirar dúvidas e falar sobre saúde mental.

O que é o movimento Setembro Amarelo?

É uma campanha brasileira de prevenção ao suicídio, criada há 5 anos atrás. O mês de setembro foi escolhido pois o dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Durante esse período é comum vermos vários lugares e pessoas utilizando amarelo, com o objetivo de dar mais visibilidade a causa. Infelizmente esse ainda é um assunto tabu e a taxa de morte causada pelo suicídio é muito alta.

Apresentação Mariana

Oi Mari, obrigada por aceitar o nosso convite. Você poderia fazer uma breve apresentação sobre você e seu trabalho?

Obrigada pelo convite, é um prazer estar aqui para falar de um assunto tão importante. Eu sou a Mariana Cristina Fernandes, psicóloga e especialista em terapia comportamental pela USP e tenho uma clínica de psicologia em São Paulo. Além disso, desde 2018 decidi trazer o meu trabalho para a internet,  utilizando o instagram @marianacristina.psi a fim de divulgar mais esse assunto sobre saúde mental e autoconhecimento, e como isso pode ajudar a potencializar a nossa qualidade de vida.

Setembro Amarelo e seu impacto na sociedade

O movimento do setembro amarelo é super importante para a saúde mental.

Esse assunto ainda é muito negligenciado pela nossa sociedade e cultura. Alguns países se preocupam mais com isso e outros menos. No caso, o Brasil ainda deixa muito a desejar nesse quesito de saúde mental e qualidade de vida.

O movimento do setembro amarelo é sobre conscientização do quanto nós precisamos olhar para a vida e para os transtornos mentais que estão presentes no nosso dia a dia, na nossa família e com pessoas queridas, que muitas vezes, por falta de informação e conhecimento não percebemos esses tantos transtornos que acometem essas pessoas.

Suicídio ainda é tabu

Esse é um tema assustador que gera rebuliço no nosso dia a dia, que causa um certo horror e julgamento.

Muitas pessoas julgam o suicídio como fraqueza, covardia e, para alguns, como pecado. Tais pessoas acreditam que existem outras formas de lidar com o problema. Porém, a verdade é que o suicídio é uma tentativa de fazer a dor parar. Ele aparece quando falta esperança, quando não conseguimos mais reagir, é triste. Ele é uma tentativa de fazer o sofrimento parar e que muitas vezes diz respeito a um transtorno mental, uma depressão, por exemplo. Muitos dos casos de suicídio não tiveram acompanhamento médico e psicológico adequado, provavelmente por falta de informação e/ou recursos.

Então, o setembro amarelo é um mês em que colocamos a saúde mental em primeiro lugar e damos mais visibilidade à causa. É preciso cada vez mais cuidar da saúde mental e respeitar os transtornos mentais, assim como qualquer outra doença.

Nos dias de hoje vemos cada vez mais pessoas com transtornos de ansiedade e claro, depressão, e dizem que esse é o mal do século. Estamos enfrentando uma pandemia e ninguém sabe o dia de amanhã. Como lidar com essas situações de conflito, do mundo e as internas?

É um fato que os transtornos de ansiedade estão roubando a cena de diversas formas e creio que o número de pessoas sofrendo com transtornos ansiosos tem aumentado consideravelmente, e à medida que ele aumenta, a gente ouve falar cada vez mais sobre saúde mental.

A ansiedade está presente na vida de todos há anos, faz parte do nosso desenvolvimento como espécie. A ansiedade em si não gera mal algumm nós, é normal, pois ela sinaliza que algo ruim ou desagradável pode acontecer, que precisamos lutar e/ou fugir. Ela está diretamente ligada com pensar muito no futuro, nos acontecimentos ameaçadores que podem nos acometer. O problema é quando isso passa dos “limites” e traz prejuízos para a nossa saúde. De certa forma a ansiedade paralisa a gente, nos “congela”. Prejudicando, assim, as nossas relações, nosso trabalho, nosso bem estar e toda qualidade de vida. Sem contar que os sintomas ansiosos nos deixam muito cansados e reféns do medo. Precisamos de tratamento (psicológico e psiquiátrico) quando percebemos que a ansiedade deixou de ser pontual e momentânea, e passou a nos prejudicar funcionalmente.

As características do nosso estilo de vida atual podem agir negativamente em nossa ansiedade. Excesso de informação e conteúdos, rotina de trabalho muito intensa, alimentação, sedentarismo e muita cobrança de performance nos deixa tensos o tempo inteiro. Estamos sempre preocupados em ter que dar conta de tudo, entende? Muito se fala sobre ser produtivo o tempo todo e não é bem assim, temos perdido o controel. É muito importante – e necessário – termos momentos de pausa e descanso.

Consequências da ansiedade

A ansiedade nos consome e chega sorrateiramente, roubando a cena e podendo chegar a níveis muito prejudiciais, e nesses casos é muito importante ter um acompanhemento médico de um terapeuta. Inclusive o momento em que estamos vivendo, de pandemia e isolamento social, nós lidamos com insegurança e sentimentos desagradáveis, mas é muito importante saber respeitar e acolher tudo isso.

Dicas de como tornar a vida mais leve

A primeira dica que eu posso dar é: aprenda a lidar com os sentimentos. Entender que eles são passageiros. Quando sentimos emoções negativas queremos logo nos livrar delas, ao invés disso, é importante que a gente aprenda a acolher, aceitar e tolerar esses sentimentos e sensações.

À medida que aprendemos isso e a entender que assim como eles vêm, eles também vão embora, a gente ameniza essa dor. Aceitar não quer dizer resignar e sim que não brigaremos mais com nossas emoções. Nos comprometemos em fazer do nosso dia a dia mais leve, algo menos ansioso e melhorar a forma como lidamos com os acontecimentos da rotina.

A segunda dica é inclusive um ponto importantíssimo que eu defendo, inclusive falo bastante em meu perfil, é o autoconhecimento. Entender que nossos comportamentos (inclusive a ansiedade), não apareceram “do nada”, que foram aprendidos ao longo da nossa história de vida, nos ajuda a ter mais clareza sobre como funcionamos. Autoconhecimento tem a ver com “o que eu sei sobre mim”. Muitas pessoas não se conhecem a fundo, não compreendem seus próprios comportamentos. Costumo dizer que Autoconhecimento é fator de proteção à saúde mental. Por isso, recomendo muito que todos busquemos, com mais intenção, entendermos quem somos e como funcionamos profundamente.

O que podemos mudar no dia a dia é a forma como cuidamos das relações, escolhermos com cuidado as companhias que estarão ao nosso redor e como lidaremos com a rotina e o trabalho. É importante cuidar da saúde física também, nos alimentando bem, fazendo atividade física, check ups, porque tudo isso influencia demais na nossa saúde mental. Cultivar relações interpessoais saudáveis, ter pessoas de confiança por perto nos dá segurança e amparo.

Como identificar que nós estamos desmotivados e/ou com baixa autoestima? Quais são os sinais? Como melhorar?

Veja, o autoconhecimento tem a ver com o que eu sei sobre mim, já a autoestima tem a ver com o que eu sinto sobre mim. São dois conceitos que andam juntos, que devem ser “trabalhados” diariamente.

Ela começa a ser desenvolvida desde a infância e partir de então passamos a criar um sentimento sobre quem somos e ao longo dos anos podemos perceber que a nossa autoestima precisa de um cuidado especial. Geralmente, percebemos que  a autoestima não vai bem quando começamos a cultivar sentimentos ruins a respeito da nossa própria pessoa.

Para identificar quando se está desmotivada é se questionar se está se criticando mais, sentindo raiva e desprezo, e se duvidando em relação a quem você é. Esses são alguns sinais que devemos prestar atenção.

Veja, não estou falando apenas sobre o corpo. Ele tem um papel muito importante, pois é a forma como nos comunicamos, como as pessoas nos reconhecem. Esse observar tem que abraçar além da nossa imagem: eu estou gostando de quem eu sou em todas as esferas, psicológica, emocional e fisicamente? Se perceber sentimentos negativos, intensos e recorrentes sobre si mesma, é importante ficar alerta, porque a autoestima pode estar dando sinais de que muitas coisas não vão bem.

Como a baixa autoestima pode afetar a vida profissional e pessoal?

A baixa autoestima tem um impacto muito negativo. Quando sentimos coisas ruins e negativas a nosso respeito, tudo passa a ficar mais nebuloso.

Se não temos confiança em nós mesmas, não gostamos de quem somos, passamos a escolher coisas ruins para nós. Começamos a nos ocultar, a ficar nos bastidores, paramos de aceitar desafios, de exprimir a nossa opinião. Com a autoestima baixa, cultivamos relações ruins e, podemos inclusive, prejudicar  nossos relacionamentos amorosos, pois a pessoa com baixa autoestima começa a ficar muito mais encanada, ciumenta, e insegura sobre o quanto o companheiro (a) a ama.

A nossa vida pessoal e profissional acaba se desestruturando. É como se a gente se encolhesse, porque quando não nós sentimos bem conosco, acabamos nos escondendo, e a partir do momento que passamos a nos esconder, deixamos de experimentar um monte de coisas boas. Deixamos de entrar em contato com coisas que inclusive fariam bem para a nossa autoestima. É importante termos esse sinal de alerta ligado porque à medida que percebemos que estamos nos sabotando e nos colocando em um lugar ruim, a chance de nos escondermos nos porões é muito grande.  É importante ter clareza, que uma vez no porão a gente se coloca numa postura totalmente esquiva e perdemos oportunidades que poderiam ser muito benéficas para nós. Fato é que a autoestima baixa pode nos colocar num lugar muito ruim, pessoal e profissionalmente.

Que hábitos podemos adquirir para ter uma vida mais positiva e uma saúde mental equilibrada?

Há várias formas de cuidarmos da nossa saúde mental para ter uma vida saudável. É importante entender a ligação do corpo e da mente. A forma como esse organismo funciona afeta a forma como nos comportamos. Então, um autocuidado dedicado a saúde do corpo é importante, ótimos exemplos são: fazer exercícios físicos, se alimentar bem e claro cuidar da nossa beleza, porque nossa imagem importa, sim.

É importante se olhar no espelho e gostar do que se vê, mas o mais importante é olhar para isso com muito cuidado e compaixão e aceitar como se é. É claro que temos partes e detalhes do nosso corpo que não gostamos e que algumas podem ser mudadas e outras nem tanto, então é importante que a gente olhe para o nosso corpo com gentileza e acolha também o que não podemos mudar.

O poder do autoconhecimento

Uma outra forma de cuidar da nossa saúde mental é desenvolver o autoconhecimento, cuidar das emoções, aprender junto com a psicoterapia sobre como funcionamos, o que nos afeta e como afeta, o que precisa mudar e como fazer isso. É importante ter esse manualzinho sobre o funcionamento de si mesmo, para que quando nos depararmos com uma situação difícil, a gente tenha recursos sobre com funcionamos, para assim lidarmos melhor com as situações adversas. Então, é fundamental fortaleçer as nossas emoções e entender cada uma delas.

À medida que desenvolvemos o autoconhecimento, nós melhoramos as relações interpessoais, nos comunicamos melhor, explicamos melhor o que pensamos e estamos sentindo, diminuímos as brigas em relacionamentos amorosos, com família e amigos, e vivenciamos relações mais leves e saudáveis. Já as que não são tão saudáveis a gente passa a se afastar e a dosar a intensidade com que a gente se relaciona.

Dicas para uma vida mais equilibrada

 Eu costumo dizer que tem coisas que são um pouquinho mais controláveis e outras que são totalmente incontroláveis e nunca temos total controle. Precisamos olhar para as situações que acontecem no nosso dia a dia com cuidado. Muitas vezes estamos tentando controlar coisas que são incontroláveis. É preciso tomar um espaço para olhar para as situações e interpretar de forma diferente e talvez fazer alguma coisa. Em outras situações vamos nos afastar e perceber que não tem o que ser feito. Então, aprender a tolerar e entender que a gente não tem controle sobre tudo é uma ótima forma de gerar um pouco mais de tranquilidade e qualidade de vida.

Paralelo a isso, é importante reconhecermos os nossos valores. Todos nós temos valores pessoais muito fortes. Alguns valores que viemos cultivando desde a infância e outros que aprendemos conforme vivemos, mas todos nós temos valores e quando identificamos esses valores, temos muito mais clareza do que vale a pena e a media que temos clareza dos nossos valores, conseguimos nos comprometer a nos comportarmos em direção a eles, e vamos atrás disso, e dessa forma fica muito mais leve e confortável de viver e é isso que o setembro amarelo busca trazer um pouco de quanto é importante a gente ter clareza de quem a gente é, principalmente quando temos algum tipo de transtorno que precisa ser cuidado e ai entra a importância da psicoterapia para aprender a encontrar esses valores e viver uma vida com muito mais sentido.

O post de hoje foi bem mais extenso que o normal, mas esse é um assunto que precisamos falar cada vez mais. Espero que tenham entendido e gostado do conteúdo Ruby Lovers. Quem se interessou e quer conhecer mais a Mariana sigam ela no instagram @marianacristina.psi.


você também pode gostar

fique por dentro das
nossas novidades

Para todos os tons,
para todas as peles.

contatos

atendimento ao cliente

falaai@rubyrose.com.br
(11) 3473-0636

assessoria de imprensa

l.donegatti@rubyrose.com.br

eventos

b.nascimento@rubyrose.com.br

siga nossas
   redes sociais

nossas iniciativas

fique por dentro das
nossas novidades

contatos

atendimento ao cliente

falaai@rubyrose.com.br
(11) 3473-0636

assessoria de imprensa

l.donegatti@rubyrose.com.br

eventos

b.nascimento@rubyrose.com.br

nossas iniciativas